Somos Membros da Raça Humana

Kat J

“Posso dizer com absoluta confiança que o Rodrigo é um profissional que impacta positivamente, não somente o desempenho de seus times, mas também a vida de seus integrantes; sempre empático, ele procura entender as qualidades de cada um, para então impulsioná-las. Me sinto muito grato por ter tido a oportunidade de aprender com seus insights. No mundo barulhento em que nos encontramos, profissionais como ele — que além da entrega de resultados, buscam promover um ambiente psicologicamente confortável — são e continuarão sendo os grandes agentes da mudança.”

Então ele me respondeu:

Obrigado pela recomendação e palavras! Como você está?

Achei curioso porque enquanto eu digitava “estou ótimo!”, eu chorava.

Chorava porque é como se eu soubesse que, lá no fundo, eu ainda me considero menos. Eu tenho muitas dúvidas em relação a mim… é sobre aquilo que já conversamos sobre não se sentir o suficiente. Sobre não ter esperança. Sobre não acreditar. Sobre não me achar inteligente (similar ao que tu passa também). Mas por outro lado, eu tenho um pressentimento, uma intuição de que isso está, na verdade, apenas me segurando.

É como se eu apenas tivesse encontrado as pessoas erradas na vida. Que me estragaram. Então quando eu falo “o mundo me estragou”, seria neste sentido. Apesar de que não me atrai enxergar o mundo dessa forma — sou adepto ao pensamento de que todos estamos aqui para aprendermos algo, seja como for. “Um homem pratica o bem, e os outros praticam o mal” — sabedoria inestimável é a de meu pai, compositor que também nunca foi reconhecido.

As pessoas me julgaram bastante no passado. Na infância eu sofria bullying, na adolescência solidão e na vida adulta, no trabalho, gostavam de ridicularizar alguns de meus comportamentos. “Parece um robo andando” — comentários que apenas me lembravam da minha infância crescendo no Brasil, quando era ridicularizado em público, nas salas de aula.

Então eu choro porque, por mais que eu tenha conhecimento de que eu não sou o que elas apontam seus dedos, no fundo eu sinto que elas estão certas. Talvez eu tenha problemas, de fato. Talvez os psicólogos e psiquiatras, os “especialistas” sobre autismo estejam certos: talvez eu precise, de fato, ser “tratado”.

Eu fico repetindo isso, às vezes. A causa me parece ser a falta de reconhecimento que tive na vida, já que vivo em um mundo onde pessoas como eu, são vistas como deficientes.

Me pego pensando nisso muito frequentemente…. a minha família, namorada, e amigos que apareceram na minha vida depois que decidi não me suicidar, me ajudam a minimizar essas tristezas e dúvidas. A psicoterapia também está me ajudando, fazendo com que eu desenvolva essa coisa chamada autoconfiança, que até hoje, não sei direito o que é.

“Este mundo horroroso, é mesmo horroroso e eu não posso fazer nada”. Percebo que gosto de repetir isso.

Dúvidas, lamúrias, depressão, ansiedade, descontentamente, sofrimento — muito citado no Cânone Pāli, são como farpas ocasionando sangria em nossas mentes. Sofremos todos da mesma forma mas sob diferentes contextos, e por diferentes motivos.

Os demônios da vida moderna. Nossos demônios.

“Nós não lemos e escrevemos poesia porque é bonito. Nós lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana é cheia de alegria, poesia, pureza. romance, amor. É por isso que vivemos. Palavras e ideias podem mudar o mundo.”.

— Robin Williams, antes de se suicidar.

O contagioso amor Brasileiro, disfarça o sofrimento de uma grandiosa nação

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