Enfim Deus permitiu a matança, e o juízo final começará

Eles precisam ser exterminados! Magnífico! esplêndido! O abençoado explicou logicamente, sucintamente. Maravilhoso! A partir de agora, que o Abençoado permita me refugiar em seus ensinamentos.

Imaculado, ele foi Abençoado.

Aplausos reverberaram no salão, enquanto a multidão — em perfeita sincroniza — se deleitava com suas palavras. Mas percebendo o ceticismo de seu companheiro (que se recusou a aplaudir), ao seu lado, calmamente sentou-se, dizendo:

— Entendo o seu receio. Logo, peço que acompanhe a minha reflexão, e preste bastante atenção, pois eu vou falar — ele o observava atentamente, com as pupilas dilatadas e sem desviar o olhar.

Após o silêncio e troca de olhares, o Abençoado continuou:

— Para os seres obstruídos pela ignorância, incapazes de enxergar a realidade, o corpo é o campo, a consciência é a semente, e o prazer é a umidade. Para os seres não obstruídos pela ignorância — imaculados, livres das máculas do desejo — o corpo é o campo, a consciência é a semente, e a concentração é a umidade. Para nós, o asceticismo e a contemplação — em vez do prazer — é a umidade, para que a consciência se cure, desenvolva resiliência, floresça e desabroche. Existem dois tipos de humanos. Quais dois tipos? Maculados pela sovinice, gananciosos, o primeiro tipo se encontra apegado à existência, eles buscam o poder; o segundo tipo são praticantes do desencanto — desapegados, eles cultivam o desapego. Os apegados olham para os desapegados, os contemplativos e ascetas, e os definem como estranhos: autistas, introvertidos, tímidos, introspectivos, esquisitos; os de andar estranho, falar estranho.

— Mentalize a imagem de um riacho. Neste riacho, há muitas flores vivendo nas profundezas, onde a luz solar não alcança; no mesmíssimo riacho, observamos uma flor de lótus diferente. Essa flor de lótus diferente vive na superfície, e está apenas esperando um feixe de luz para desabrochar. Pratica o desapaixonar-se. Resplandescente, irradiando uma luz linda, pura e brilhante.

Deslumbrante e cintilante, preciosa e sublime

— Então é por isso que quando estamos naquele mundo, nós falamos pouco, mas falamos bastante quando alguém demonstra estar interessado. Não possuímos a compaixão de nosso companheiro Jesus, e portanto, ainda nos frustramos bastante com a estupidez, com a ignorância e também com o sofrimento que eles nos causam. As flores que vivem nas profundezas — com suas mentes apegadas ao prazer, e, descontroladas.

— Vivendo nas profundezas, tornaram-se incapazes de ascender à superfície. Estando incapazes de florescer e desabrochar, eles julgam, ridicularizam, ostracizam e isolam o restante. E isso acontece porque no riacho, há muito mais flores vivendo nas profundezas. O diferente sempre foi uma doença, para os olhos da maioria.

Então o Venerável, com seu olhar atento e empatia altruística, respondeu:

— Magnífico! Esplêndido! Muitíssimo obrigado por esclarecer. Estava em dúvidas a respeito de suas motivações, porém, agora estou convencido. Meus argumentos acabaram. Reúna os soldados.

Então o Abençoado, observando a concordância, se dirigiu ao Mestre, e disse:

— Lembre-se do capacete com espinhos, eles não podem ter expressões faciais durante o extermínio. Eu fiz o capacete para que os soldados não demonstrem dor em seus rostos, e caso demonstrem, os espinhos machucarão seu rosto.

Sim senhor — ele respondeu assertivamente.

Infelizmente, o maligno ascendeu (novamente).

E o ciclo vicioso de sofrimento agravado se repete.
Macaco, Macaquito.

O contagioso amor Brasileiro, disfarça o sofrimento de uma grandiosa nação

O contagioso amor Brasileiro, disfarça o sofrimento de uma grandiosa nação